2009-06-22

A criança e a escrita

A criança e a escrita
Ao final do artigo em que discute a exploração da dimensão reflexiva no ato de escrita por crianças, Maria Cecília Góes propõe:

"Finalmente, queremos sugerir, que uma direção produtiva para o estudo da constituição do escritor está na busca de compreensão sobre os diversos planos de dialogia implicados na produção escrita [...]" (GÓES, 1993, p. 115)

Em que se fundamenta tal sugestão? Que dados analisados orientam tal necessidade de compreensão?


GÓES, Maria Cecília Rafael de. A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever. IN: SMOLKA, Ana Luíza B.; GÓES, Maria Cecília Rafael de (Orgs). A linguagem e o outro no espaço escolar: Vygotsky e a construção do conhecimento. Campinas (SP): Papirus, 1993.


No texto de Maria Cecíclia Rafael de Góes, A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever, a sugestão de que “uma direção produtiva para o estudo da constituição do escritor está na busca de compreensão sobre os diversos planos de dialogia implicados na produção escrita [...]”, fundamenta-se no argumento de Vygotsky de que a linguagem se constitui no plano do funcionamento comunicativo, envolvendo regulações. Expandindo essa proposição para a linguagem escrita, teremos que daí nasce uma relação do sujeito com a própria escrita: o funcionamento individual implica que a escrita se transforma em meio de ação reflexiva. O desencadeamento desse processo requer que o escritor comece a considerar as implicações do caráter dialógico do ato de escrever, tomando, ao mesmo tempo, o dizer do texto como objeto de atenção e o leitor como um sujeito que constrói sentidos a partir de pistas do texto.
Os planos de dialogia abrangem a relação da criança com vários outros: o outro para quem a criança diz- seus leitores; o outro de quem toma palavras para dizer- seus modelos; o outro sobre quem diz- suas personagens; o outro que é participante do processo de produção do texto- professores, co-autores..., além da relação da criança consigo própria, como escritora e leitora de seu texto.
Os dados analisados orientam nossa compreensão no sentido de que, ao escrever, a ação reflexiva da criança pode passar por diferentes necessidades, conforme o que lhe é solicitado.

Um comentário:

Márcia Fortunato disse...

Marcly, achei muito boa a sua reflexão e acho que essa associação com o pensamento de Vygotsky é fundamental para compreender o próprio resultado da pesquisa. Acho que seu texto desenvolveu e explicou pouco esse pensamento de Vygotsky e suas conexões com a escrita.
Beijo, Márcia.