2010-03-28

Proposta de sequência didática para o livro paradidático JOAQUIM E MARIA E A ESTÁTUA DE MACHADO DE ASSIS

Luciana Sandroni
Ilustrações de Spacca
Companhia das Letrinhas


I- Lançamento do livro

Promover pesquisa sobre Machado de Assis para que os alunos conheçam um pouco da trajetória do escritor e apresentar o enredo do livro: a estátua de Machado de Assis, que está na entrada da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, ganha vida.

Apresentar a época em que viveu ( Rio de Janeiro, 21/6/1839- 29/9/1908), sobre sua descendência negra, a vida na corte e a sociedade da época.
( 2 aulas)

Pré-leitura

A obra machadiana é extensa, possui linguagem rica em ironia. É por meio dos clássicos, como é o caso dos livros de Machado de Assis, que os estudantes passam a comparar e fazer referências linguísticas, artísticas e culturais que permitem a eles estabelecer vínculos com as gerações anteriores e se integrar à cultura. Nesse sentido, promover um primeiro contato com CONTO DE ESCOLA será uma oportunidade de os estudantes conhecerem o estilo do autor. Digitalizar o livro e explorar o uso figurado das palavras, o ritmo, as repetições. Chamar a atenção para o narrador, a caracterização dos personagens, do tempo, do espaço e do tipo de discurso. A história se passa em 1840. A linguagem é simples, mas atrai por trazer a delação e a corrupção como aprendizagem. Também podemos antecipar os “bolos”, a palmatória utilizada na época, o que aparecerá no capítulo 20.( 2 aulas)
Apresentar aos alunos o maior número possível da produção literária do autor e as versões em filmes de algumas de suas obras- A CARTOMANTE, MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, por exemplo.



II- Etapas de acompanhamento de leitura

Uma vez ambientados à época em que Machado de Assis viveu e tendo tomado contato com um de seus contos, iniciar a leitura do livro com os alunos. Na página 14, no diálogo entre o professor e os alunos, já é mencionado o morro do Livramento, onde Machado de Assis nasceu e onde se passa o CONTO DE ESCOLA.

Promover uma lista das obras de Machado de Assis, citadas no livro, conforme for avançando a leitura.

Trazer para a sala um exemplar de Dom Casmurro e ler para os alunos o mesmo trecho que a autora, Luciana Sandroni selecionou, no capítulo 2.

Antes de lerem o capítulo 3, mostrar o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas e contar que é a história de um homem que dedicou a vida à criação de um remédio para todos os males e onde se encontra a célebre frase: “decifra-me ou devoro-te”.
No cap. 11, a autora explora um pouco mais a obra. Trabalha com a figura do anti-herói.


Pedir que leiam até o capítulo 5.

No capítulo 6, o leitor é informado de que o morro do Castelo fora cenário de vários livros de Machado de Assis. Pelas descrições apresentadas, pedir que desenhem o morro.

Nos capítulos 7 e 8, o leitor passa pela Rua do Ouvidor, junto com os personagens Joaquim, Maria e Machado ( a estátua). Explorar com os alunos a caracterização dessa rua, dos adjetivos selecionados. Trabalhar com as imagens da Rua do Ouvidor do século XIX e da mesma rua nos dias atuais.






Ler o capítulo 9 com a intenção de comparar o vestuário da época ao vestuário atual. Ilustrar – foto ou desenho, baseando-se na leitura.

Capítulo 12- localizar no livro Dom Casmurro o trecho selecionado pela autora e ler para os alunos.
“Ah! Finalmente ele vai falar dos olhos de ressaca!’Olhos de cigana, oblíqua e dissimulada’!”
O que significa “oblíqua” e “dissimulada”?

Ler o capítulo 18 e justificar o título: “A INEXPLICÁVEL FLORA NO LARGO DE SÃO FRANCISCO”

Comparar a Rua do Ouvidor ( ou o Largo de São Francisco) da época em que viveu Machado de Assis (1839 a 1908) com os dias atuais. Relacionar alguns aspectos que deverão orientar a comparação.




Capítulo 19- Pedir que os estudantes tragam para a classe um exemplar de Os Lusíadas e encontrem o trecho citado na página 103.

Capítulo 23- Contar como foi o encontro das estátuas.
Capítulo 26- Estudamos o gênero CARTA e no capítulo, aparece o trecho de uma carta escrita por Machado de Assis para Carolina.
Componha a carta, de forma que ela fique completa, acrescentando os elementos necessários.

No capítulo final, aparece a descrição de um beijo.
Faça a sua descrição do beijo!


III- Produção de texto
No capítulo final, aparece a descrição de um beijo.
Faça a sua descrição de um beijo!


Atividades propostas para 10 a 15 aulas. Importante o professor acompanhar a leitura junto aos alunos.

ENSINAR x NÃO ENSINAR GRAMÁTICA: AINDA CABE ESSA QUESTÃO?

Carlos Alberto Faraco- Professor Titular de Linguística da Universidade Federal do Paraná
A gramática foi criação da cultura Greco-romana, já que foram povos apaixonados por questões de linguagem e suas reflexões nessa área nasceram de diferentes fontes, sendo as práticas políticas e jurídicas uma delas, marcadas por debates públicos acirrados. Nesses debates, os participantes tinham de desenvolver o domínio das habilidades de fala para sustentar bem seus argumentos e tentar vencer as disputas políticas ou jurídicas.
Nesse contexto, surge a retórica, que se dedicava a estudar a língua com o objetivo de sugerir as formas de melhor explorar seus recursos expressivos para conquistar a adesão do auditório. Estilo e figuras de linguagem foram temas tratados na retórica.
Paralelamente a esse estudo, os filósofos criaram uma análise de vários aspectos da língua grega como parte da construção da lógica; surge, então, a teoria de como se organiza o raciocínio válido: a lógica inclui uma discussão de juízos ( proposições) expressas por meio de sentenças da língua. Partindo dessa consideração, os filósofos elaboraram uma análise da estrutura sintática das sentenças, a partir das funções proposicionais: sujeito e predicado, e das classes de palavras que poderiam ocupar essas funções ( em especial substantivos e verbos, mas também adjetivos e pronomes), bem como dos diferentes elementos lexicais com função de conectivos.
Próximo da era cristã, os “gregos”, na cidade de Alexandria, se dedicaram a estudar a produção literária de seus autores consagrados, constituindo, dessa forma, uma tradição normativa do estudo da língua que ainda se instala no ensino, e que naquele momento histórico representou “uma solução intelectual” para a diversidade linguística.
Nessa diversidade, notamos que algumas formas têm mais prestígio (padrão) e outras são, ainda, desvalorizadas, desde a época dos gregos alexandrinos, na qual essa referência linguística padrão, ideal , se encontrava nos grandes escritores.
Como desdobramento desse processo, gregos alexandrinos criaram a gramática normativa com o objetivo de fixar padrões de correção, agregando três tradições: retórica, lógico-filosófica e normativa.
Se ainda cabe a questão: ensinar ou não ensinar a gramática, somente se justifica seu estudo se pudermos oferecer aos alunos condições para eles se familiarizarem com práticas sociais de linguagem relevantes para sua efetiva inserção sociocultural.
Ocorre que no século XXI a escola continua a ensinar um estado de língua que não existe mais há, pelo menos 700 anos, retomando o modelo grego, perpetuado pelos europeus.
Ensinamos a gramática conforme modelos ditados pelos portugueses, desconsiderando a realidade e não incorporando à gramática as transformações linguísticas. A elite conservadora passou a defender o discurso da unidade absoluta, uma vez que considera a existência de uma só língua e cumpre preservar sua pureza, que nos é dada pelos portugueses, seus proprietários. Essa luzitanização artificializou nossa referência linguística e gerou um fosso entre o modo como falamos em situações formais e o modo como escrevemos. Essa codificação foi artificial na origem e ficou congelada nas gramáticas, mas o padrão real falado continuou mudando, o que complica nossas relações com a norma padrão e seu ensino. Assim, criaram-se códigos que se autojustificam, que recusam a norma real, que desmerecem o trabalho linguístico dos escritores, que não conseguem tratar adequadamente da diversidade linguística e que excluem diversificações. Nessa imposição da norma cultuada, encontra-se a escola, onde está entranhado o ensino da língua de forma normativista e compromissado com a gramatiquice.
Devemos redirecionar nossas relações com o padrão, combinando diferentes práticas de seus escritores com aquilo que efetivamente se usa atualmente no Brasil na fala formal e na escrita, considerando que esse padrão é flexível e muda no tempo.
O ensino da gramática deve de estar pautado na reflexão sobre a estrutura da língua e sobre seu funcionamento social. Conhecer a norma padrão é parte integrante do amadurecimento das nossas competências linguístico-culturais. Trata-se de desenvolver uma atitude científica de observar e descrever a organização estrutural da língua. Só existe sentido em estudar gramática se os conteúdos gramaticais estiverem subordinados ao domínio das atividades de fala e escrita, se tiverem relevância funcional. O padrão constitui uma força relativamente unificadora , por isso tem certa estabilidade no tempo e transcende limites regionais e sociais, mas é uma dentre as muitas variedades da língua.
O que devemos fazer, então, é expor nossos alunos aos mais variados textos- revistas e jornais de boa qualidade e fundamentalmente os bons textos literários -para se atingir o domínio da norma padrão, objetivando a ampliação de horizontes e um domínio das atividades de fala e escrita.

2010-03-16

NO RUSH, CARRO ESTÁ TÃO VELOZ QUANTO GALINHA

Os cinco processos básicos associados à compreensão do texto avaliados pelo PISA, são:
Recuperação da informação
Formação de uma compreensão ampla e geral
Desenvolvimento de uma interpretação
Reflexão e avaliação do contexto do texto
Reflexão e/ou avaliação da forma do texto.
Levando em conta tais processos, cinco questões possíveis de serem propostas sobre a notícia “NO RUSH, CARRO ESTÁ TÃO VELOZ QUANTO GALINHA”, seriam:

1. Segundo a CET, por que houve redução da velocidade?
2. Que fator constitui a principal explicação para a queda de velocidade?
3. Houve redução da velocidade média dos carros, conforme aponta o “Relatório de Atividades Operacionais da CET”. No entanto, na segunda parte, os motivos que justificam essa redução diferem daqueles levantados no relatório. Aponte tais diferenças.
4. Considere a afirmação: “No rush, carro está tão veloz quanto galinha”
Tal comparação é possível de ser feita no ano de 2009.
Se essa publicação tivesse ocorrido em 2007, como deveria ser o título, considerando o gráfico final?
5. A notícia trabalha com três sobretítulos. A escolha deles foi bem selecionada? Justifique.