2009-06-24

Interação entre aprendizado e desenvolvimento

O desenvolvimento nas crianças nunca acompanha o aprendizado escolar da mesma maneira como uma sombra acompanha o objeto que o projeta.”


COLE. Michael, STEINER- Vera John, SCRIBNER, Sylvia, SOUBERMAN, Ellen (orgs.). Interação entre aprendizado e desenvolvimento. In: VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo (SP): Martins Fontes, 2007. p. 104

Os problemas encontrados na análise psicológica do ensino não podem ser corretamente resolvidos ou mesmo formulados sem nos referirmos à relação entre o aprendizado e o desenvolvimento de crianças em idade escolar.
A relação entre aprendizagem e desenvolvimento permaneceu obscura e dela resultou três grandes posições teóricas: na primeira, há o pressuposto de que os processos de desenvolvimento são independentes do aprendiz, que se utilizaria dos avanços do desenvolvimento em vez de fornecer impulso para modificar seu curso. O aprendiz formaria, nessa corrente, uma superestrutura sobre o desenvolvimento, deixando-o essencialmente inalterado.
Na segunda, há o postulado de que o aprendizado é desenvolvimento. Essa identidade é a essência de um grupo de teorias que, na essência, são diferentes.
A terceira combina o desenvolvimento com aprendizagem: um influencia o outro. Nessa corrente, ao dar um passo no aprendizado, a criança dá dois no desenvolvimento.
Daí virá o conceito de zona de desenvolvimento proximal: para descobrir as relações reais entre o processo de desenvolvimento e a capacidade de aprendizado será necessário determinar dois níveis de desenvolvimento: o real, aquele das funções mentais da criança que se estabeleceram como resultado de certos ciclos de desenvolvimento já completados, que define funções que já amadureceram e o proximal: que é a distância entre o real e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. Nessa zona de desenvolvimento proximal, estariam aquelas funções que ainda não amadureceram, que estão em estado embrionário.
O que é proximal hoje, será o nível de desenvolvimento real amanhã. O que a criança pode fazer com assistência hoje, será capaz de fazer sozinha amanhã.
Nota-se também a importância da imitação: uma pessoa só consegue imitar o que está no seu nível de desenvolvimento.
O aprendiz orientado para os níveis de desenvolvimento que já foram atingidos é ineficaz do ponto de vista global da criança: ela não se dirige para um novo estágio do processo de desenvolvimento mas vai a reboque do processo. A zona de desenvolvimento proximal capacita-nos a propor uma nova fórmula, a de que o “bom aprendiz” é aquele que se adianta ao desenvolvimento.
A linguagem surge inicialmente como meio de comunicação entre a criança e as pessoas em seu ambiente. Somente quando da conversão em fala interior, ela vem organizar o pensamento da criança tornando-se função mental interna.
Um aspecto essencial do aprendizado é o fato de ele criar a zona de desenvolvimento proximal: ele desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros.
O aprendizado é um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas.
O processo de desenvolvimento progride de forma mais lenta e atrás do processo de aprendizado, desta sequenciação resultam, então, as zonas de desenvolvimento proximais.
Ter conhecimento dessa ZDP pode nos auxiliar muito em nossas aulas, já que temos alunos prontos a avançar em seu conhecimentos reais.

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