"O nome do autor não é, pois exatamente um nome próprio como os outros. [...] o nome do autor funciona para caracterizar um certo modo de ser do discurso [...]" (FOUCAULT, 2006, p. 273)
"O nome do autor não está localizado no estado civil dos homens, não está localizado na ficção da obra, mas na ruptura que instaura um certo grupo de discursos e seu modo singular de ser. Consequentemente, poder-se-ia dizer que há, em uma civilização como a nossa, um certo número de discursos que são providos da função “autor”, enquanto outros são dela desprovidos." (FOUCAULT, 2006, p. 274)
Selecionei alguns trechos que pudessem elucidar a compreensão dos trechos acima:
“ … o sujeito que escreve despista todos os signos de sua individualidade particular; a marca do escritor não é mais do que a singularidade de sua ausência; é preciso que ele faça o papel de morto no jogo da escrita....." (FOUCAULT, 2006, p.269)
Selecionei alguns trechos que pudessem elucidar a compreensão dos trechos acima:
“ … o sujeito que escreve despista todos os signos de sua individualidade particular; a marca do escritor não é mais do que a singularidade de sua ausência; é preciso que ele faça o papel de morto no jogo da escrita....." (FOUCAULT, 2006, p.269)
“O que seria preciso fazer é localizar o espaço assim deixado vago pela desaparição do autor, seguir atentamente a desaparição do autor, seguir atentamente a repartição das lacunas e das falhas e espreitar os locais, as funções livres que essa desaparição faz aparecer.” (FOUCAULT, 2006, p.271)
“.. ele exerce um certo papel em relação ao discurso: assegura uma função classificatória; tal nome permite reagrupar um certo número de textos, delimitá-los, deles excluir alguns, opô-los a outros.” (FOUCAULT, 2006, p.273)
(o nome do autor) “.... indica que esse discurso não é uma palavra cotidiana, indiferente, uma palavra que se afasta, que flutua e passa, uma palavra imediatamente consumível, mas que se trata de uma palavra que deve ser recebida de uma certa maneira de que deve, em uma dada cultura, receber um certo status.” (FOUCAULT, 2006, p.274)
A partir do século XVIII, a função autor passa a ser necessária para os textos literários: quem escreveu, em que data, em que circunstâncias ou a partir de que projeto. Somente aceitamos o anonimato na qualidade de enigma.
Foucault propõe que o autor seja alguém que fica entre o texto e a realidade. Então, qual papel ele ocupa?
Arrisco uma imagem:
A imagem do autor poderia se assemelhar àquela dos pontos computadorizados de um outdoor: de longe, não enxergamos um ponto azul que aparece em todos os outdoors. No entanto, ao nos aproximarmos, percebemos a existência daquele ponto em todos os outdoors. O que ocorreu é que o autor organizou o seu discurso da forma como queria e aí está a questão do MODO DE SER- o autor quer dizer algo e o diz desta ou daquela forma porque assim é o que lhe parece. E esse tal ponto seria sua marca que aparece em seus discursos.
Um comentário:
Marcly, excelente seu comentário e acho que contribui muito para a reflexão sobre o assunto. Adorei a imagem do ponto do outdoor!
Beijo, Márcia.
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