Capítulo de conclusão: Os fatores do desenvolvimento mental
INHELDER, Bärbel, PIAGET, Jean. A Psicologia da criança. Tradução de Octávio Mendes Cajado. São Paulo: Difel Editorial, 1985.
Até constituir o conjunto das operações concretas e das estruturas de cooperação, o desenvolvimento mental da criança passa sucessões de construções: esquemas sensório-motores, construção das relações semióticas, do pensamento e das conexões interindividuais, reconstruindo-os no novo plano da representação e ultrapassando-os.
Desde os 11-12 anos, o pensamento reestrutura as operações concretas, subordinando-as a estruturas novas.
Há uma integração de estruturas sucessivas, que conduz à construção da seguinte e permite dividir o desenvolvimento em grandes períodos, segundo os critérios:
1- a ordem de sucessão é constante; 2- cada estágio é caracterizado por uma estrutura de conjunto em função da qual se explicam as principais reações particulares; 3- as estruturas de conjunto são integrativas e não se substituem umas às outras, cada uma resulta da precedente, integrando-se a ela mais cedo ou mais tarde.
O questionamento final do autor seria reconhecer o mecanismo desse desenvolvimento. Não sendo possível precisar uma resposta, aponta quatro fatores gerais estabelecidos para a evolução mental:
1- que há uma estrutura física mínima necessária para que o desenvolvimento aconteça, em seguida, a maturação e garantir um número mínimo de experiência;
2- da necessidade do papel do exercício e da experiência adquirida na ação efetuada sobre os objetos. Existem dois tipos de experiência: a- a física; e b: a experiência lógico-matemática.
3- da importância do papel das interações e transmissões sociais- fundamental, mas insuficiente por si só.
4- que o plano pré-estabelecido é fornecido pelo modelo do pensamento adulto, mas a criança não o compreende antes de havê-lo reconstruído e ele mesmo é a resultante de uma construção não interrompida, devida a uma sucessão de gerações. O desenvolvimento deve tomar em consideração as dimensões ontogenética e social, no sentido da transmissão do trabalho sucessivo das gerações.
Esse mecanismo eterno é observável por ocasião de cada construção parcial e de cada passagem de um estágio ao seguinte: é um processo de equilibração, de auto-regulação, de sequência de compensações ativas do sujeito em resposta às perturbações exteriores e de regulagem ao mesmo tempo retroativa e antecipadora.
Piaget nos coloca que esses quatro fatores não são suficientes para a evolução intelectual e cognitiva da criança, que a afetividade constitui a energética das condutas. Não existe nenhuma conduta que não comporte fatores afetivos, mas não poderia haver estados afetivos sem a intervenção de percepções ou compreensão, que constituem a sua estrutura cognitiva. Os dois aspectos- afetivo e cognitivo- são inseparáveis e irredutíveis.
Os sentimentos comportam indiscutíveis raízes hereditárias sujeitas à maturação, diversificam-se, enriquecem-se e comportam conflitos e reequilibrações e auto-regulação. E essa equilibração por auto-regulação constitui o processo formador das estruturas.
Trata-se de um capítulo no qual o autor discorre sobre as etapas do desenvolvimento segundo os critérios científicos, mas de nada adiantará se não enxergarmos o indivíduo em sua totalidade- somos seres que necessitam de relações afetivas para podermos crescer. E isso dura a vida inteira. Compreender as etapas do desenvolvimento pode nos ajudar a transpor obstáculos diante do novo, sempre respeitando essa auto-regulação, acompanhada do equilíbrio afetivo.
INHELDER, Bärbel, PIAGET, Jean. A Psicologia da criança. Tradução de Octávio Mendes Cajado. São Paulo: Difel Editorial, 1985.
Até constituir o conjunto das operações concretas e das estruturas de cooperação, o desenvolvimento mental da criança passa sucessões de construções: esquemas sensório-motores, construção das relações semióticas, do pensamento e das conexões interindividuais, reconstruindo-os no novo plano da representação e ultrapassando-os.
Desde os 11-12 anos, o pensamento reestrutura as operações concretas, subordinando-as a estruturas novas.
Há uma integração de estruturas sucessivas, que conduz à construção da seguinte e permite dividir o desenvolvimento em grandes períodos, segundo os critérios:
1- a ordem de sucessão é constante; 2- cada estágio é caracterizado por uma estrutura de conjunto em função da qual se explicam as principais reações particulares; 3- as estruturas de conjunto são integrativas e não se substituem umas às outras, cada uma resulta da precedente, integrando-se a ela mais cedo ou mais tarde.
O questionamento final do autor seria reconhecer o mecanismo desse desenvolvimento. Não sendo possível precisar uma resposta, aponta quatro fatores gerais estabelecidos para a evolução mental:
1- que há uma estrutura física mínima necessária para que o desenvolvimento aconteça, em seguida, a maturação e garantir um número mínimo de experiência;
2- da necessidade do papel do exercício e da experiência adquirida na ação efetuada sobre os objetos. Existem dois tipos de experiência: a- a física; e b: a experiência lógico-matemática.
3- da importância do papel das interações e transmissões sociais- fundamental, mas insuficiente por si só.
4- que o plano pré-estabelecido é fornecido pelo modelo do pensamento adulto, mas a criança não o compreende antes de havê-lo reconstruído e ele mesmo é a resultante de uma construção não interrompida, devida a uma sucessão de gerações. O desenvolvimento deve tomar em consideração as dimensões ontogenética e social, no sentido da transmissão do trabalho sucessivo das gerações.
Esse mecanismo eterno é observável por ocasião de cada construção parcial e de cada passagem de um estágio ao seguinte: é um processo de equilibração, de auto-regulação, de sequência de compensações ativas do sujeito em resposta às perturbações exteriores e de regulagem ao mesmo tempo retroativa e antecipadora.
Piaget nos coloca que esses quatro fatores não são suficientes para a evolução intelectual e cognitiva da criança, que a afetividade constitui a energética das condutas. Não existe nenhuma conduta que não comporte fatores afetivos, mas não poderia haver estados afetivos sem a intervenção de percepções ou compreensão, que constituem a sua estrutura cognitiva. Os dois aspectos- afetivo e cognitivo- são inseparáveis e irredutíveis.
Os sentimentos comportam indiscutíveis raízes hereditárias sujeitas à maturação, diversificam-se, enriquecem-se e comportam conflitos e reequilibrações e auto-regulação. E essa equilibração por auto-regulação constitui o processo formador das estruturas.
Trata-se de um capítulo no qual o autor discorre sobre as etapas do desenvolvimento segundo os critérios científicos, mas de nada adiantará se não enxergarmos o indivíduo em sua totalidade- somos seres que necessitam de relações afetivas para podermos crescer. E isso dura a vida inteira. Compreender as etapas do desenvolvimento pode nos ajudar a transpor obstáculos diante do novo, sempre respeitando essa auto-regulação, acompanhada do equilíbrio afetivo.
Um comentário:
Marcly, parabéns pelo bom resumo do texto. Acho quevoc~e conseguiu colocar todas as idéias, embora pudesse ter feito uma escolha e reduzir um pouco o texto.
Quanto ao seu parágrafo final não ficou muito claro como conhecer as etapas do desenvolvimento nos ajudam a transpor obstáculos diante do novo - acho que mereceria uns exemplos não acha?
Trocamos mais ideias na quinta.
Andréa
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