“...Do ponto de vista do significado, o jogo permite ao sujeito reviver suas experiências vividas e tende mais à satisfação do eu que à sua submissão do real. Do ponto de vista do significante, o símbolo oferece à criança a linguagem pessoal viva e dinâmica, indispensável para exprimir sua subjetividade, intraduzível somente na linguagem coletiva....”
“...Já se viu que o jogo de regras marca o enfraquecimento do jogo infantil e a passagem ao jogo propriamente adulto, que não é mais uma função vital do pensamento, na medida em que o indivíduo se socializa. Ora, o jogo de regras apresenta precisamente um equilíbrio sutil entre a assimilação ao eu- princípio de todo jogo- e a vida social. Ele é ainda satisfação sensório-motora ou intelectual e, ademais, tende à vitória do indivíduo sobre os outros. Mas essas satisfações são, por assim dizer, tornadas legítimas pelo próprio código do jogo, que insere a competição numa disciplina coletiva e numa moral de honra e do fair-play....”
PIAGET. Jean. A explicação do jogo. In: A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: LTC, 1990.
Joguei muito pouco em aula. Talvez por isso não promova mais jogos para meus alunos. A função do jogo muda conforme a idade, como verificamos nas situações acima transcritas, mas a satisfação do jogo permanece- por si só ele cumpre a função de equilíbrio- assimilação do eu e vida social. Ao montar gincanas para os alunos sobre determinado conteúdo, sem dúvida percebo exatamente essa satisfação intelectual.
A competição decorrente desse jogo talvez gere problemas, já que somos motivados por esse espírito de vitória e talvez aí enfraqueça sua função.
Um comentário:
Marcly suas observações foram bastante pertinentes. Era exatamente isso que pedi, a leitura de vocês de trechos do texto.
Agora vamos aos aspectos mais formais, procure intercalar seu texto com as frases do autor. Piaget era bastante otimista quanto a competitividade, para o autor o desenvolvimento leva o sujeito a entender a reciprocidade como necessária, o que levaria ao "fair play" como na citação que você postou.
Outra questão formal: após a citação abra parenteses (Piaget, 1990, p.?)
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